Cenário da economia, perspectivas e orientações

Entrevista com o economista Fernando Babilônia


Cenário da economia, perspectivas e orientações

A economia tende a manter o ritmo atual, mas, a depender do resultado das eleições, pode se dar uma firme retomada do crescimento econômico, avalia o economista Fernando Babilônia. Ele também discorre sobre outros aspectos do atual cenário econômico nacional, declara que alguns indicadores já sinalizam melhoras e aposta no otimismo do empresariado brasileiro. Na entrevista abaixo:

• Que análise o Sr. faz do atual cenário comercial?

O cenário atual é de cautela, tanto para os investidores quanto para os consumidores. Este é um ano de eleições gerais e isso por si só já gera certa insegurança, ainda mais em um cenário complicado como o atual. Os investidores tendem a esperar para tomar decisões importantes sobre seus investimentos e os consumidores, quando agem de forma racional, também ficam com receio de fazer compromissos de médio e longo prazos. Nesse sentido, as perspectivas para o segundo semestre é de manutenção do ritmo da economia. A depender do resultado das eleições e de sua absorção pelos agentes econômicos, espera-se uma retomada firme.

Em relação à crise, mesmo com elevado índice de desemprego, o que se pode observar é que há alguns sinais de melhora. De acordo com dados do Banco Central, o volume de vendas no comércio varejista registrou crescimento médio de 2,74%, em maio passado, em relação a maio de 2017. Os hipermercados/supermercados e as autopeças, apresentaram crescimento de 7,20% e 3,23%, respectivamente. A produção de veículos, outro importante indicador do andamento da economia, registrou um crescimento de 56,8%, comparando-se o que foi produzido de janeiro a julho de 2017 e o que foi produzido no mesmo período deste ano. Outros indicadores do ânimo da economia registraram crescimento, entre junho de 2017 e junho de 2018, como expedição de papelão (10,61%), produção de aço bruto (10,07%), tráfico de veículos em rodovias pedagiadas (10,16%), produção de insumos para a construção civil (4,90%), consultas ao Serasa (6,43%), utilização da capacidade instalada da indústria (2,56%) e vendas industriais (12,34%).

• Quais orientações o consumidor deve seguir neste período para não chegar ao final do ano com a corda no pescoço no que se refere a dívidas?

A orientação é sempre PLANEJAMENTO. O consumidor não deve agir por impulso. Todas as suas decisões de consumo devem ser efetivamente planejadas. Assim ele não se complica e permanece sempre apto a fazer novas compras.

• Quais perspectivas o empresário pode ter para este segundo semestre?

O empresário deve ser, por natureza, otimista. Mas ele deve ficar atento a todos os movimentos de mercado e aos desdobramentos políticos, pois isso afetará seu dia a dia. Ainda estamos nos recuperando de uma gravíssima crise econômica e ainda é ano eleitoral; portanto, o empresário tem de estar muito atento a tudo o que está acontecendo. O segundo semestre trará muitos desafios, mas o empresariado brasileiro em geral convive com tais desafios o tempo todo. O lado positivo é que alguns indicadores já sinalizam algumas melhoras estão chegando duas importantes datas para o comércio: Dia das Crianças e Natal. Então, vamos ser otimistas como nossos empresários são e contar com melhorias reais em nossa economia.