ENTREVISTA/FERNANDO BABILÔNIA - ECONOMISTA

“Observa-se uma tendência de redução do consumo”, diz economista


ENTREVISTA/FERNANDO BABILÔNIA - ECONOMISTA

Ao fazer uma apreciação da economia nacional, o professor Fernando Babilônia, diretor do Curso de Ciências Econômicas da Faculdade de Educação Santa Terezinha (Fest), observa que as expectativas “não são muito boas” e que há uma tendência de desemprego. Na entre-vista abaixo, ele fala também sobre as perspectivas que se desenham para o comércio local.

• Professor, diante do cenário nacional de crise, quais são as perspectivas para o setor comercial?
- Fernando Babilônia - As expectativas não são muito boas, já que há uma tendência ao aumento do desemprego; aumento real da taxa de juros e aumento da inflação. O aumento do desemprego terá como conseqüência uma redução na renda, o que levará a uma redução do consumo, afetando, portanto, as vendas no comércio. O aumento nas taxas de juros provoca uma redução da procura por crédito, de forma que os segmentos do comércio que dependem mais do crédito para efetuar suas vendas terão uma redução de suas atividades, dado que ficará muito caro tomar empréstimos para comprar algum bem. A inflação, por sua vez, tem como uma de suas principais consequências a redução do poder de compra das pessoas. Com inflação alta, as pessoas têm cada vez menos recursos para o consumo; com isso, sobrarão menos recursos para destinarem a compras de produtos não essenciais.
• Quais as causas da crise?
- Fernando Babilônia- A crise, em sua grande medida, tem como causa a opção por políticas econômicas equivocadas. Nos últimos anos, o governo, adotou uma política econômica me-nos rigorosa, sobretudo com os próprios gastos, o que levou ao aumento da inflação, redução dos investimentos no setor privado, aumento do endividamento, tanto do governo quanto das famílias, e uma piora considerável nas contas externas.

• Em Imperatriz, que perspectivas o setor pode esperar?
- Fernando Babilônia- Imperatriz não está fora do contexto nacional. Nós temos que estar preparados para os refluxos que as medidas que serão adotadas pelo governo terão em na cidade e região. Alguns setores poderão sofrer um pouco mais que outros. Setores como o de construção civil e toda a cadeia tendem a uma estabilização, pois o governo está dificultando o acesso ao crédito imobiliário por meio da elevação da taxa de juros, maior rigor na liberação do crédito e aumento do valor de entrada. Outro setor que poderá sofrer retração (e em algumas regiões do País isso já é realidade) é o de vendas de veículos novos. Esse é um segmento altamente dependente do crédito e, com o aumento das taxas de juros e, consequentemente, da incerteza da manutenção do emprego, os consumidores ficarão mais cautelosos quanto à aquisição de um veículo novo. No entanto, é bom mencionar que, mesmo Imperatriz não estando deslocada do restante do País, nossa economia tem uma dinâmica muito boa. Poderemos ter alguma redução no volume de vendas no comércio, mas temos uma eco-nomia diversificada, não somos dependentes de um único segmento ou indústria, o que nos dá uma vantagem em relação a muitos outros municípios brasileiros. Com isso, é possível que não soframos tanto como outras regiões ou municípios brasileiros.

• O que o empresariado deve fazer para atravessar momento tão difícil?
- Fernando Babilônia- O empresariado que não estiver muito endividado estará em situação melhor, pois, com a elevação das taxas de juros, quem precisar de crédito estará em uma situação muito complicada, terá uma grande despesa com juros, o que poderá engolir os ganhos gerados por sua atividade comercial. Em relação ao comércio, os empresários terão que exercer (e muito) sua criatividade, pois o consumidor, como mencionado anteriormente, estará menos propenso a fazer compras. Nesse sentido, os empresários terão que criar estratégias para conquistar o consumidor. É bom lembrar que, na busca pela melhor estratégia, a redução de preços não deve ser a primeira opção, pois reduzindo os preços, eles terão uma redução em suas margens de lucro, o que poderá levar até mesmo à geração de prejuízos.

Tais fatores levaram o Brasil a enfrentar uma séria crise de confiança, tanto em âmbito local como internacional. Para sair dessa grave situação, é necessário fazer um ajuste duro, sobre-tudo nas contas do governo. E isso fará com que a economia, que já não apresentava bons índices de crescimento, tenha um 2015 e 2016 pouco favoráveis. A expectativa do mercado é a de que o crescimento do PIB fique abaixo de 1% em 2015 ou até mesmo seja negativo, isto é, não haverá crescimento econômico em 2015.