O CÂMBIO E A DIA-A-DIA DA ECONOMIA


O CÂMBIO E A DIA-A-DIA DA ECONOMIA

No dia 24 de setembro, o Real atingiu cotação recorde em dólares desde a implantação do Plano Real em 1994, a cotação atingiu um valor de R$ 4,19. O movimento de alta do dólar já era perceptível e o rompimento da barreira dos R$ 4,00 aconteceu no dia 22 de setembro, desde outubro de 2002 não havia uma pressão tão acentuada de alta da moeda americana. No dia 22 de outubro daquele ano, a moeda americana foi cotada a R$ 3,95. Há algumas coincidências nos dois casos, mas a que sobressai é a instabilidade política, em 2002, havia um grande temor em relação ao que seria o governo do presidente Lula e agora em 2015 há uma enorme desconfiança do mercado em relação ao que irá acontecer no (des)governo da presidente Dilma. O mercado é, por essência, proativo, não espera a efetivação de mudanças ele reage antes. Diante da incapacidade atual do governo em mostrar os caminhos a serem seguidos o mercado reage buscando proteção e nome de tal proteção é a moeda americana, e como a demanda pela moeda se acentua, temos então uma pressão altista (lei da oferta e da demanda), quanto mais procura tiver, buscando proteção, maior será a cotação da moeda.
Os reflexos do aumento da cotação do Dólar na economia do dia-a-dia vão logo ser sentidos por toda a população. Do lado negativo, teremos uma pressão sobre os preços em vários produtos e serviços. Como exemplo de produtos importados temos eletrônicos, carros, perfumes, motos, bicicletas... em relação aos serviços temos as viagens ao exterior, sobretudo, para os Estados Unidos tais viagens ficarão muito mais caras. Outro ponto, a ser observado são os produtos que levam direta ou indiretamente insumos importados, caso do pão francês e das massas estes produtos tem o trigo como insumo fundamental e Brasil é um grande importador de tal produto, como consequência haverá o repasse do aumento do trigo para os produtos. Um outro ponto negativo, sobretudo para quem tem dívida em Dólar, é o encarecimento dessas dívidas será necessário gerar ainda mais caixa para honrar o pagamento e em um ambiente de grande instabilidade econômica como o de agora aumentar vendas e faturamento é algo complicado e desafiador. Do lado positivo, tem-se como principal benefício o aumento das exportações, já que os produtos nacionais ficarão mais baratos para quem detém a moeda americana. Os importadores de nossos produtos conseguirão comprar muito mais produtos sem que para isso tenham que ter mais Dólares e isso possivelmente poderá alavancar as exportações. Só há uma ressalva a este ponto, a economia mundial está crescendo pouco, sobretudo, a China nosso principal comprador, portanto, a desvalorização do Real poderá não promover uma elevação das exportações em grande escala.
Portanto, a desvalorização do Real frente ao Dólar verificada nos últimos dias terá tanto consequências negativas como positivas. Caso essa desvalorização persista teremos aumento de preços de produtos e serviços, e para quem tem dívidas em Dólares haverá a necessidade de gerar mais caixa, vender mais, faturar mais. Por outro lado, poderemos ter um aumento das importações o que contribuirá para elevar o saldo da balança comercial brasileira. Imperatriz que agora tem uma grande indústria exportadora poderá ter um impacto positivo em sua balança comercial com o possível aumento das exportações. É importante observar que há mecanismos de mercado para proteção da variação do Dólar e tais mecanismos devem ser usados, principalmente, por quem depende da moeda americana em suas transações com isso, mesmo com fortes variações suas posições estarão garantidas.

Fernando Babilônia
Economista